O MARTY de Garrix precisa de Madonna e U2, mas sua própria voz tem de vencer
Um álbum de estreia pop recheado de Madonna, U2 e Ed Sheeran mostra em que os headliners do EDM se apoiam para cruzar a fronteira, mas o teste real é a voz de Garrix.
O que diz sobre um superastro da música eletrônica o fato de seu primeiro álbum pop chegar com uma lista de convidados que parece uma cédula do hall da fama? Ou que ele conquistou seu lugar, ou que ainda sente precisar de um nome famoso ao lado para entrar. Com MARTY, de Martin Garrix, achamos que é um pouco dos dois. A pergunta mais interessante é qual deles vence.
A lista de convidados é a manchete, os vocais são a história
Segundo a Billboard, MARTY é um projeto de 14 faixas previsto para 5 de março de 2027, pela STMPD Records/Darkroom Records. Garrix confirmou o álbum em um show do Spotify Pop-Up que abriu o Amsterdam Dance Event. Os colaboradores confirmados até agora são Madonna ("Bizarre"), U2 ("Fireflies"), Ed Sheeran ("Rewind Repeat It") e Aitana, na primeira música dele em espanhol. Mais nomes foram prometidos.
A reviravolta é que Garrix canta sozinho em quatro faixas pela primeira vez. Duas já saíram: "Catharina", sobre sua mãe, e "This Dream of You". De acordo com a Rolling Stone, Bono o empurrou para o microfone, orientou sua interpretação e contribuiu com algumas letras.
Nomes lendários são o novo passaporte
Olhe o padrão. Garrix já tem seis entradas na Billboard Hot 100 e há tempos se une a vocalistas: Dua Lipa, Usher, Bebe Rexha. Isso não é novidade. A novidade é o nível. Madonna, os quatro integrantes do U2 e Sheeran não são apenas cantores convidados. São chancelas.
Na nossa visão, essa é a mensagem silenciosa do caminho do EDM para o pop em 2026. Um headliner de festival lota arenas enormes e ainda enfrenta um mundo de rádio e playlists que confia mais em rostos familiares do que em produtores. Artistas legados emprestam a credibilidade que um drop, por maior que seja, não dá. É uma jogada inteligente. Também é uma pequena admissão de que a lealdade do público da pista não se transfere sozinha.
Parte disso, porém, é menos emprestada do que parece. "Rewind Repeat It" tem mais de uma década, então a relação com Sheeran é antiga, não oportunista. E a faixa com Madonna aparece no álbum dela, o que significa que Garrix também empresta sua produção. O poder de estrela corre nos dois sentidos.
A aposta real são quatro músicas sem coadjuvante famoso
O que achamos mais interessante do que a lista de convidados: Garrix disse à Rolling Stone que ficou atrás da cabine porque se sentia confortável, e chama o canto de "muito fora da minha zona de conforto". Poucos produtores tentam, e menos ainda se saem bem. Essa honestidade é o melhor trunfo do álbum e também seu maior risco.
O conceito é ambicioso: cada música é um capítulo, do nascimento ao pós-vida, com o "amor eterno" como tema. Álbuns conceituais assim vivem ou morrem pela credibilidade do narrador. Se as músicas autobiográficas forem os momentos vocais mais fracos, espremidos entre participações polidas de estrelas, o disco vai parecer uma coletânea de convidados. Se a voz de Garrix, simples e um pouco vulnerável, carregar o peso emocional, as participações viram tempero, não o prato principal.
Há também o rótulo de "estreia". A MusicRadar observa que sobrancelhas podem se levantar, já que Sentio saiu em 2022. Garrix diz que aquele é um álbum de balada e que MARTY é "pop-dance". Vamos conceder a distinção. É marketing, mas defensável.
Nosso veredito
Tenha curiosidade, não convicção. "Fireflies" já está no top 10 das rádios do Reino Unido, segundo o The Music Universe, e "Repeat It" chegou ao top 15 da Mediabase Top 40, então o argumento comercial parece sólido. Mas hits de rádio com amigos famosos não comprovam um artista. Julgue MARTY pelas faixas em que ninguém famoso está ao lado dele. Se elas se sustentarem, Garrix não terá tomado emprestado o poder das estrelas; terá usado esse poder para conquistar o seu. Se não, março trará uma playlist muito bem relacionada, não um álbum.
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