'Tutto è già qui', de Mauro Pagani: O rugido introspectivo de um mestre
O primeiro álbum de Mauro Pagani com material inédito em mais de duas décadas não é apenas um retorno; é uma declaração profunda e desafiadora sobre arte, legado e a sabedoria de descartar o supérfluo.
Foto: Unknown author Unknown author / Wikimedia Commons (Public domain)
Será que um artista, após seis décadas de destaque, consegue realmente oferecer algo novo, algo que honre seu passado e, ao mesmo tempo, avalie criticamente os gêneros que ele próprio ajudou a definir? Com o iminente lançamento de 'Tutto è già qui' em 16 de outubro de 2026, Mauro Pagani, uma figura central na música italiana, parece pronto para responder com um sonoro sim, entregando um álbum descrito como “íntimo e raivoso” pela Rolling Stone Italia. Este não é apenas mais um lançamento; é um retorno significativo e introspectivo de um mestre, demonstrando como a verdadeira arte pode evoluir com a idade, mantendo a profundidade característica e uma perspectiva afiada.
Aos 80 anos, o mais recente trabalho de estúdio de Pagani é sua primeira coleção de músicas originais desde 'Domani', de 2003, marcando um considerável intervalo de 23 anos entre projetos, de acordo com o Mescalina.it. O álbum, lançado pela BMG, chega em meio a um período de profunda reflexão pessoal, evidenciado pelo documentário “Andando dove non so. Mauro Pagani, una vita da fuggiasco”. Este filme, que apresenta três faixas do novo álbum, incluindo o single 'Tutto mi manca', aprofunda-se em sua perda temporária de memória após um problema neurológico, levando o próprio Pagani a declarar: “Sono vivo per caso”—Estou vivo por acaso, conforme relatado pelo Ondarock. Essa experiência profunda, sem dúvida, infunde 'Tutto è già qui' com uma qualidade crua e introspectiva.
A Sabedoria da Subtração
A jornada de Pagani pela música é um testamento de constante evolução e uma disposição para olhar para frente, como seu álbum anterior 'Domani' já demonstrava (Fonte 4). Desde seu papel fundamental no Premiata Forneria Marconi (PFM) até sua lendária colaboração com Fabrizio De André em álbuns como 'Creuza de mä' e 'Le nuvole', ele sempre foi uma força de inovação, buscando novos territórios sonoros. No entanto, com 'Tutto è già qui', há uma sensação de destilação, um refinamento nascido da experiência. Suas reflexões sobre o trabalho com De André, a quem ele descreve como
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