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Redação Musisfera
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A química do System of a Down precisa de mais que outro show em estádio

Shavo Odadjian diz que os integrantes estão se divertindo juntos novamente, mas só músicas novas podem provar que essa reunião é futuro — não nostalgia com iluminação melhor.

Publicado
21 de outubro de 2026
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O System of a Down pode ter resolvido a parte mais difícil de ser uma banda: voltar a gostar da companhia uns dos outros. A questão mais complicada é saber se essa sensação vai sobreviver ao estúdio. Depois de anos de shows, declarações cautelosas e músicas lançadas pontualmente, a relação mal resolvida do grupo com músicas novas deixou de ser apenas uma lacuna infeliz em sua história. Ela passou a fazer parte de sua identidade.

Shavo Odadjian diz que os integrantes estão se divertindo juntos novamente, enquanto a banda anunciou um show em 5 de junho de 2027 no Rose Bowl, em Pasadena. O Consequence informa que o evento será a única apresentação do grupo na América do Norte em 2027. É uma data importante — e fácil de monetizar. Mas ainda não é prova de um futuro criativo.

A reunião é real, mas seus limites também são

A parte animadora não é simplesmente o fato de o System of a Down estar tocando novamente. É a mudança que Odadjian descreve nas condições emocionais em torno da banda. O grupo chegou a um ponto em que o sucesso já não bastava para compensar as dificuldades internas, e seus integrantes escolheram manter distância em vez de encenar uma imitação convincente de união.

Essa decisão importa. Muitas bandas veteranas transformam tensões não resolvidas em um negócio de turnês, preservando o catálogo enquanto abandonam discretamente a possibilidade de crescer. O System of a Down parece ter evitado a versão mais cínica desse acordo. A banda parou quando a química não estava funcionando, voltou a se apresentar ao vivo depois da reunião e agora aparentemente encontrou uma maneira mais confortável de dividir o palco.

Mas conforto não é o mesmo que colaboração. Os quatro integrantes — Serj Tankian, Daron Malakian, Odadjian e John Dolmayan — continuaram se apresentando de forma intermitente, enquanto o último álbum completo continua sendo Hypnotize, lançado em 2005 depois de Mezmerize. A exceção foi a dupla de singles de 2020, “Protect The Land” e “Genocidal Humanoidz”, criados em conexão com a ajuda humanitária relacionada à guerra em Artsakh/Nagorno-Karabakh, como informa a Radio Freccia.

Essa história faz com que o otimismo atual seja significativo e insuficiente ao mesmo tempo. A banda demonstrou que consegue se reunir por uma causa. Ainda não demonstrou que consegue concordar sobre como fazer um álbum.

O verdadeiro obstáculo é a autoria, não o afeto

Os fãs costumam tratar um novo disco como a recompensa óbvia por relacionamentos reconstruídos. A própria história da banda sugere algo mais complicado. A disputa central tem sido artística: quem escreve a música, quem escreve as letras e quanto espaço cada integrante tem quando o processo do System of a Down começa.

Tankian descreveu uma divisão anterior em que Malakian compunha as músicas e ele escrevia as letras, seguida por um período em que ambos ampliaram seus papéis. Tankian incentivou Malakian a cantar suas próprias palavras, mas não se sentiu igualmente apoiado quando começou a propor mais músicas. Não é uma discordância pequena, que desaparece porque quatro pessoas agora conseguem dividir um camarim sem conflitos. É uma questão de autoridade criativa.

É por isso que um novo álbum não pode ser produzido à força pela nostalgia. A banda precisaria de um método que tornasse a participação genuína desde o começo. A abordagem proposta por Dolmayan — começar pelas ideias de Tankian, depois pelas de Odadjian e, por fim, pelas de Malakian — pelo menos reconhece o problema, em vez de fingir que velhos hábitos de repente se tornarão produtivos. Ele também imaginou dedicar seis meses de 2027 à composição em um estúdio doméstico, sem regras preestabelecidas.

Achamos que esse é um avanço mais importante do que outra entrevista entusiasmada. Um processo pode produzir música; boa vontade, sozinha, produz manchetes.

O Rose Bowl pode vender o passado, mas não provar o futuro

A agenda de 2027 dá ao System of a Down uma moldura comercial atraente. A banda está programada para tocar no Maracanã, no Rio de Janeiro, em 15 de janeiro, e depois fará shows na Austrália e na Nova Zelândia, antes de chegar ao Rose Bowl com o Pierce The Veil como atração convidada. São eventos de grande escala construídos em torno da escassez, da ocasião e da força emocional de um catálogo que teve décadas para se tornar permanente.

Esse modelo faz todo sentido do ponto de vista empresarial. Quanto menos o System of a Down aparece, mais cada show pode parecer um acontecimento. Segundo relatos, a própria banda prefere grandes eventos a turnês prolongadas, o que poupa os integrantes do desgaste que pode ter contribuído para os atritos anteriores. Também protege a marca: uma reunião cuidadosamente limitada é mais fácil de sustentar do que uma longa campanha que exponha cada discordância não resolvida.

Ainda assim, a mesma estratégia pode aprisionar o grupo. Cada apresentação em estádio aumenta as expectativas e, ao mesmo tempo, dá à banda outro motivo para adiar o estúdio. A edição comemorativa do 25º aniversário de Toxicity, programada para 20 de novembro de 2026, fortalecerá ainda mais o lado celebratório e arquivístico da história. É uma maneira legítima de homenagear o catálogo, mas não substitui a tarefa de ampliá-lo.

A pergunta dos fãs, portanto, não é absurda: por quanto tempo o “talvez” pode continuar fazendo parte do espetáculo? Odadjian já disse que um novo álbum deveria ser fantástico, e não apenas uma coleção de riffs reunidos para atender às expectativas. Esse padrão é defensável. Mas, se a régua ficar tão alta a ponto de impedir a banda de testar qualquer ideia nova, a perfeição se transforma em outra forma de paralisia.

Músicas novas são a única medida convincente da química

O System of a Down não deve a ninguém um álbum fraco. Não deve ao mundo do rock uma missão de resgate e certamente não precisa recriar “Chop Suey!”. Os integrantes disseram que qualquer material futuro deve refletir o que eles realmente quiserem escrever naquele momento. Esse é o princípio artístico correto.

Ainda assim, o princípio oposto é igualmente importante: o desejo genuíno precisa, em algum momento, virar ação. Um período de composição, uma música concluída, um processo de produção compartilhado ou até mesmo um compromisso criativo claramente definido diriam mais aos fãs do que outra rodada de declarações esperançosas. A química da banda merece ser celebrada, mas deve ser tratada como uma oportunidade, não como uma conclusão.

Nosso veredito é simples: aproveite o show no Rose Bowl se puder comparecer e encare o lançamento comemorativo pelo que ele é — um olhar para trás. Não interprete o novo clima de proximidade como prova de que um novo álbum do System of a Down está a caminho. Essa prova só virá quando a banda parar de discutir a possibilidade e criar algo em conjunto.

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