A reunião do Aerosmith com os cinco funciona porque acaba depois de duas noites
Joey Kramer volta à bateria em dois shows no Hollywood Bowl. É uma jogada inteligente de escassez, e a banda deveria resistir à vontade de esticá-la numa turnê.
Foto: edans / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)
O mais valioso que uma banda veterana pode vender é uma turnê ou uma data que nunca vai se repetir? O Aerosmith parece ter escolhido a segunda opção, e achamos que escolheu bem.
Eis o que sabemos. O Loudwire informa que fotos de ensaio compartilhadas no Instagram em 20 de outubro mostram os cinco integrantes clássicos: Steven Tyler, Joe Perry, Brad Whitford, Tom Hamilton e Joey Kramer. A legenda dizia: "The bad boys from Boston are back" ("Os bad boys de Boston estão de volta"). A banda toca em duas noites em Los Angeles, em 29 de outubro e 1º de novembro.
Segundo o Consequence, os shows serão no Hollywood Bowl, com o nome "California, Dream On: Aerosmith & Friends". São os primeiros da banda desde que a lesão vocal de Tyler encerrou a turnê de despedida logo no início, em setembro de 2023. São também os primeiros com Kramer desde fevereiro de 2020.
A escassez é o produto
Duas noites, uma cidade, uma lista de convidados que parece line-up de festival. O Guns N' Roses faz a abertura, e entre os nomes ao redor estão Heart, The Black Crowes, Sammy Hagar e Run-DMC. Isso não é uma turnê. É um evento, e o preço de um evento vem do fato de que você não pode vê-lo no mês seguinte em outro lugar.
Uma turnê completa faz o oposto. Transforma o "preciso estar lá" em "vou no próximo". Quem já viu uma turnê de despedida derivar para datas extras sabe com que rapidez a urgência se esvai. O Aerosmith tem motivos para lembrar: a última turnê de despedida foi interrompida quase assim que começou, quando a voz de Tyler falhou.
O frágil é o lado humano
É fácil esquecer como foi complicado o caminho de volta. Kramer perdeu alguns shows em 2019 por causa de lesões e, no início de 2020, processou os colegas de banda, dizendo que não o deixavam voltar. A banda respondeu que ele era "our brother" ("nosso irmão"), mas não tinha conseguido tocar. Depois, ficou fora de todos os shows de 2022 e 2023, após se afastar por questões familiares e pela morte da esposa.
É muita história para levar a uma turnê de estádios. Duas noites permitem que todo mundo seja generoso. Sorrir numa foto de ensaio é uma coisa; meses de ônibus, hotéis e brigas por repertório são outra. Não estamos prevendo um racha. Estamos dizendo que uma reconciliação é melhor quando não é testada por muito tempo.
A voz é o outro motivo para parar
O Consequence observa que Tyler fez alguns shows beneficentes e apresentações em premiações desde então, e que sua voz soou muito forte no show "Back to the Beginning". É animador. Mas um cantor que volta de uma lesão vocal não é o mesmo que um cantor pronto para uma longa turnê de arenas. Dois shows com convidados dividindo a carga são uma forma sensata de descobrir. Uma turnê longa é uma aposta numa garganta.
Há também um argumento do ponto de vista dos fãs. O próprio cartaz diz "& Friends", e, na nossa opinião, esse é o charme. Se esticarem para uma turnê como atração principal, os amigos provavelmente somem, a ocasião vai junto e o que sobra é um pacote de nostalgia caríssimo.
Nosso veredicto
Toquem no Bowl, façam um grande show e deixem que essa seja a história. Se a demanda for tão grande quanto suspeitamos, a tentação de acrescentar datas será forte, e esse é exatamente o sinal de que o evento único funcionou. Uma banda que ainda consegue fazer as pessoas dizerem "eu estive lá" não deveria trocar isso por "vi na terceira etapa da turnê". Nosso conselho ao Aerosmith: saiam da sala enquanto todos ainda aplaudem. Nosso conselho aos fãs: se conseguirem chegar a Los Angeles, vão, e não contem com uma sequência.
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