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O trabalho de RAYE em Lizard Music é uma aposta em autoria, não um bico paralelo

Compor e dar voz a um personagem no filme de Benny Safdie com Dwayne Johnson pode dar a RAYE autoria e longevidade além do single, mas só se ela escrever música de verdade.

Publicado
30 de outubro de 2026
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O nome de uma estrela pop no cartaz de um filme é um passo de carreira ou só um adesivo de marketing? O novo trabalho de RAYE em Lizard Music vai responder a essa pergunta, e a resposta depende inteiramente do que ela de fato colocar na partitura.

Eis o que sabemos. O Deadline informa que a cantora vencedora do Grammy vai se juntar ao próximo filme de Benny Safdie para dar voz a um dos personagens e compor música original para esse híbrido de live-action e CGI da United Artists. Dwayne Johnson estrela e produz, e o elenco inclui ainda Alicia Silverstone, Tim Heidecker, Regina Hall, Colman Domingo e Jeff Goldblum. O filme é baseado no romance de Daniel Pinkwater e tem estreia prevista nos cinemas para 25 de dezembro de 2027. Como observa o Film Music Reporter, o roteiro e a direção são de Safdie.

A palavra que importa é “compor”

O pop tem o hábito de alugar suas estrelas. Um single num trailer, um nome nos créditos da trilha, uma música-tema escrita sob encomenda. Isso é divulgação, e costuma ser esquecível. A formulação do Deadline é diferente: música original para o filme, mais um papel de voz. São dois trabalhos dentro da história, não um logotipo do lado de fora.

Essa distinção é o argumento inteiro. Uma canção colocada numa trilha é uma licença. Uma trilha composta é uma encomenda. Significa sentar com um diretor, ler um roteiro e decidir como uma cena soa antes de alguém ter ouvido uma nota. Para uma artista mais conhecida pela canção como unidade, é outro músculo, e achamos saudável desenvolvê-lo.

O cinema dá a uma estrela pop o que a máquina do single não consegue

O single no streaming premia os próximos três minutos. Um filme dura. É revisto, citado e redescoberto, e sua música é creditada a uma pessoa, não a uma vaga numa playlist. Uma data de estreia a mais de um ano de distância, 25 de dezembro de 2027, também traz algo raro: uma longa pista de decolagem para um projeto que não precisa entrar nas paradas na primeira semana.

Há ainda a autoria. Estrelas pop costumam trabalhar dentro de um sistema de coautores, produtores e cronogramas de gravadora. Uma trilha põe um único nome, o dela, sobre todo o som de uma obra. Se entregar algo marcante, ela se torna uma compositora que as pessoas podem contratar de novo. Isso é longevidade de um tipo que as paradas raramente oferecem.

O lado de Safdie também é interessante. Escolher uma cantora para a música sugere um diretor que quer uma voz, não uma camada orquestral genérica. Essa é a nossa leitura, não algo que a reportagem diga, e não a levaríamos longe demais.

O risco: um nome em vez de uma trilha

Precisamos ser honestos sobre o que não sabemos. Nada na reportagem diz quanta música ela vai escrever, se vai trabalhar com colaboradores ou se o papel de voz é grande ou pequeno. “Música original” pode significar uma trilha completa ou um punhado de canções. São resultados muito diferentes.

Se acabar sendo duas músicas e uma ponta, é um bom comunicado de imprensa e pouco mais. Se ela escrever o universo sonoro de um filme de fantasia híbrido, é uma segunda trilha de carreira de verdade. Passagens do pop para as telas costumam ser julgadas com dureza porque o público sente de longe o cheiro de nome emprestado. A única defesa é o trabalho.

Nosso veredicto

É uma jogada inteligente, e a parte mais inteligente, a nosso ver, é que ela não parece uma manobra para promover um álbum: nada na reportagem menciona um. Olhe para o crédito, não para a manchete: se o filme a listar como compositora de fato, com música entrelaçada às cenas, isso dirá mais sobre as ambições dela do que mais um single. Até ouvirmos, seguraremos os aplausos, mas com certeza vamos ficar de olho.

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