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Redação Musisfera
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A notícia real dos Stones não é a turnê: é que eles ainda fazem álbuns

Um 27º álbum de estúdio, "Foreign Tongues", depois de "Hackney Diamonds", só importa se os Stones tratarem o fim de carreira como urgência criativa, e não como manutenção de marca.

Publicado
25 de outubro de 2026
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A coisa mais interessante que os Rolling Stones podem fazer em 2026 é mesmo outra turnê? Nós achamos que não. A turnê é a parte previsível. O surpreendente é que uma banda tão veterana ainda faça álbuns, e isso muda como a estrada deve ser julgada.

No Sunday Sitdown desta semana, segundo o TODAY.com, Mick Jagger, Keith Richards e Ronnie Wood sentaram com Willie Geist para falar do 27º álbum de estúdio da banda, "Foreign Tongues". Eles também falaram sobre como se juntaram e sobre a perda do baterista Charlie Watts, e ofereceram sua teoria da longevidade. Em um episódio anterior, de 14 de junho de 2026, Jagger falou do disco, do vínculo com Richards por causa do blues e do plano de continuar fazendo música.

Isso é quase tudo o que a documentação nos dá. Não temos lista de faixas, data de lançamento nem detalhes da turnê, e não vamos fingir que temos. O que temos é contexto: "Hackney Diamonds", em 2023, foi, segundo a Rolling Stone, o primeiro álbum de estúdio com músicas inéditas desde "A Bigger Bang", de 2005.

O longo hiato acabou, e essa é a história

Por quase duas décadas, um disco novo dos Stones era boato. A banda era uma instituição das turnês com um catálogo, e o catálogo fazia o trabalho. Agora há um álbum novo chegando depois de um disco de retorno. Seja o que for "Foreign Tongues", outro álbum depois de uma seca tão longa sugere, na nossa visão, que o de 2023 não foi um gesto comemorativo isolado.

Isso importa porque um álbum tardio pode ser uma volta olímpica. Mais de um começa a parecer uma banda em atividade. Bandas em atividade às vezes fazem discos piores, e esse é o ponto: elas arriscam algo.

Camaradagem vende melhor que "legado"

Quando a banda promoveu "Hackney Diamonds", a CBS News citou Jagger dizendo que desafiou Richards a fixar um prazo para um álbum. Wood disse que fazer discos agora não era diferente de 20 ou 40 anos atrás, porque não se pode perder a camaradagem e a música ao vivo. Richards disse que a emoção de compor é a sensação de que "isso pode ficar fantástico", mesmo que a música acabe ruim.

Isso nos convence mais do que qualquer conversa sobre herança. Prazos, riffs e uma sala cheia de gente são um método criativo. Uma estratégia de marca jamais admitiria que uma música pode ficar ruim.

A mesma entrevista mostra também o outro puxão. Jagger ficou satisfeito porque um vídeo de "Angry" feito com ajuda de IA não exigiu nada da banda ("não precisamos fazer nada", disse), e sobre um show com holograma afirmou: "Vai acontecer, tenho certeza." É a tentação de renovar a marca à vista de todos: tornar os Stones escaláveis e deixar a imagem sobreviver às pessoas. É honesto da parte dele dizer isso, mas é o oposto de urgência.

O que a estrada deve provar

Na turnê, os Stones podem facilmente cair na armadilha da banda cover de si mesmos. Um crítico do Substack, Wayne Robins, elogiou um álbum ao vivo por soar "entusiasmado e fresco" em vez de "zumbis entediados", e zombou das coletâneas intermináveis da banda. Nós pegaríamos o critério, não o veredito: as músicas novas dividem o palco com os sucessos ou são espremidas em um espaço educado enquanto "Start Me Up" comanda o show?

Nossa previsão, claramente um palpite, é que o repertório vai se apoiar bastante nos clássicos de qualquer forma. Tudo bem, desde que o material novo não seja tratado como pretexto para vender produtos. O sinal mais revelador será quantas músicas de "Foreign Tongues" entrarão no setlist quando os detalhes da turnê surgirem, já que a documentação não traz nenhum.

Ouça o disco primeiro, compre o ingresso depois

Empolgue-se, mas com a coisa certa. A história é uma banda que ainda faz álbuns novos, porque isso sugere, na nossa opinião, que eles ainda precisam fazer coisas, não apenas ser coisas. Se a turnê confirmar isso com risco de verdade, vai importar. Se virar uma volta pelo catálogo com uma camiseta nova, não vai. Por enquanto, ouça o disco primeiro e compre o ingresso depois.

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