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Redação Musisfera
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A segunda noite do U2 em Berlim prova que o nome vende. O álbum ainda precisa merecer

Uma segunda data no Olympiastadion chegou dias antes de Carnaval de Luz sair. A demanda parece real, mas é do legado da banda, ainda não do disco.

Publicado
5 de novembro de 2026
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Uma banda pode abrir uma segunda noite em estádio para um álbum que ninguém ouviu por inteiro? O U2 acabou de fazer isso. A pergunta mais difícil é se isso diz alguma coisa sobre a música.

Veja o que aconteceu. A Ticketmaster confirmou um segundo show no Olympiastadion de Berlim em 1º de julho de 2027, um dia depois da data de 30 de junho, citando "fulminante Nachfrage" (algo como demanda avassaladora), segundo a Musikexpress. Isso aconteceu no meio da semana de pré-venda, com a venda geral começando em 6 de novembro. O álbum, Carnaval de Luz, o 16º da banda e o primeiro com material novo em nove anos, sai em 13 de novembro.

A demanda é real, mas mira o nome

É escassez fabricada? As evidências não sustentam isso, pelo menos não no sentido cínico. O Stuttgarter Nachrichten descreve fãs que entraram meia hora antes e mesmo assim ficaram na posição 2.167 da fila. A Live Nation diz que muitos shows na América Latina já esgotaram, com datas extras na Cidade do México, em São Paulo e em Buenos Aires. É muita gente gastando dinheiro de verdade.

Mas olhe o que estão comprando. Os ingressos foram à venda poucos dias antes do álbum, com apenas três singles lançados. Suspeitamos que a fila de Berlim se formou por causa de 1993, 2005, 2009 e 2017 naquele mesmo estádio, e das 40 noites esgotadas na Sphere. Ninguém entrou na fila por causa de uma lista de faixas. Na nossa opinião, essa é a leitura honesta: a demanda é genuína, e é uma demanda pelo U2 como instituição.

A escassez ajudou, e tudo bem

Há um detalhe mais interessante. O Giga apontou antes da data extra que Berlim era a única parada na Alemanha, enquanto a turnê de 2018 fez sete shows alemães. Passar de sete shows para um é receita para uma fila frenética. Abrir uma segunda noite devolve um pouco de normalidade, mas o pânico foi em parte produto do roteiro. Não chamaríamos isso de fraude. É assim que funcionam as turnês de estádio. Ainda assim, um número na fila não é uma resenha.

A turnê também é um jogo longo. O Giga, citando a Radio X, diz que Adam Clayton deu a entender que esse ciclo pode manter a banda ocupada até 2030. Se for isso, o álbum parece menos um produto e mais uma licença: músicas novas que justificam chamar a turnê de "Carnaval De Luz presents: The Greatest Show On Earth World Tour" em vez de uma maratona de grandes sucessos.

Agora o disco tem de pagar a conta

Aqui resistiríamos tanto ao cinismo fácil quanto ao elogio fácil. Doze músicas, Jacknife Lee na produção, uma composição com Brian Eno, uma participação de Dolly Parton em "Torn": os ingredientes são interessantes. Larry Mullen Jr. também está de volta, embora tenha admitido que ainda não sabe se aguenta todas as noites. Mas ingredientes não são músicas, e o álbum finalizado ainda não saiu.

O que as vendas nos dizem é que a banda provavelmente comprou tempo. É improvável que um disco fraco esvazie o Olympiastadion em 2027, porque muitos fãs já estão comprando. O custo viria depois, nas etapas de 2028 e no que vier a seguir, quando as pessoas decidirem se voltam pela banda ou pela memória. Com assentos a partir de 93,75 euros e pista a 191,50 euros, segundo a Musikexpress, mais taxas, é uma decisão que as pessoas tomarão com o bolso.

Nosso veredito

Não leia duas noites em Berlim como um voto em Carnaval de Luz. Elas são um voto em cinquenta anos de U2, e muito saudável. O trabalho do disco começa em 13 de novembro, e o teste de verdade é se as músicas novas sobrevivem no repertório ao lado das antigas. Se você está decidindo sobre ingressos, esperaríamos o álbum antes de se comprometer com um terceiro show, já que a Ticketmaster limita cada conta a três. Se você já tem um, aproveite que a data extra parece sinal de vida, e não um resgate.

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