Indústria musical
Redação Musisfera
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Os acordos da Adobe com as gravadoras são o modelo certo, se os artistas tiverem voz

Música licenciada no Premiere mobile é melhor que a roleta dos direitos autorais que os criadores jogam hoje, mas um acordo geral com as majors não é o mesmo que um acordo justo para os artistas.

Publicado
4 de novembro de 2026
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Quem recebe quando um trecho de 60 segundos de um sucesso vai parar no vídeo de férias de um adolescente? Por anos, a resposta honesta era "ninguém, e tomara que ninguém perceba". Os novos acordos da Adobe com duas das grandes gravadoras tentam trocar esse dar de ombros por um contrato. Achamos que é a direção certa. Temos menos certeza de que quem fez as músicas vá sentir o benefício.

O que a Adobe de fato anunciou

Como informa o The Verge, a Adobe está se unindo à Universal Music Group e à Warner Music Group para adicionar ao aplicativo Premiere mobile uma biblioteca navegável de trechos de músicas licenciadas. Nenhum músico específico foi citado. A Adobe só promete "músicas populares" de "artistas importantes". O recurso está "chegando em breve".

Os detalhes que existem são modestos. Segundo o Phandroid, os usuários poderão adicionar até 60 segundos de música, e as faixas são licenciadas para uso pessoal e não comercial. Projetos comerciais continuam com o Adobe Stock Audio. Outra lacuna: segundo o Camera Times, a Adobe não informou data de lançamento, lista de países nem a relação completa de artistas.

Música legal no editor é um padrão melhor que "importar e rezar"

Até agora, quem usava o Premiere e queria uma música conhecida tinha que importá-la manualmente, ou seja, ficava sozinho com a questão dos direitos. Colocar o catálogo dentro do editor muda o padrão. O caminho legal vira o caminho fácil, e, na nossa visão, esse é o único tipo de conformidade com os direitos autorais que já funcionou em grande escala.

Também faz sentido comercial. O The Verge observa que a iniciativa serve para ajudar o editor móvel da Adobe a competir com rivais como o CapCut. O vídeo curto é hoje onde muitos ouvintes conhecem músicas, então um catálogo ao lado da linha do tempo provavelmente vale mais para as gravadoras do que qualquer quantidade de notificações de remoção.

A divisão entre uso pessoal e comercial também é sensata. Ela mantém o catálogo dos grandes nomes fora de anúncios e conteúdo de marcas, onde o dinheiro, e o risco jurídico, são muito maiores. É uma linha que gostaríamos de ver mantida.

A assinatura da gravadora não é o consentimento do artista

É aqui que ficamos céticos. As declarações até agora vêm de executivos. Bryan Stone, da Universal, fala em ajudar "nossos artistas e compositores a alcançar novos públicos". Isso é uma promessa de exposição, e exposição é a moeda mais antiga da indústria da música para não pagar ninguém.

Nada do que foi anunciado até agora diz como a receita é dividida, se algum artista pode ficar de fora ou como os compositores são tratados. Essas perguntas decidem se isso é uma nova fonte de receita para os artistas ou para os detentores de direitos. As duas gravadoras têm todo o incentivo para descrevê-la como a primeira. Vamos tratar isso como não comprovado até que os termos sejam conhecidos.

Na nossa visão, um acordo assim deveria passar por três testes. Os artistas, e não só suas gravadoras, deveriam saber que a obra deles está no catálogo. Deveria haver um mecanismo claro de adesão ou exclusão. E as condições de pagamento deveriam ser explicadas em linguagem simples. O alcance é real, mas não paga o aluguel.

Nosso veredicto

A Adobe acerta ao licenciar música em vez de fingir que ela é de graça, e as outras ferramentas criativas deveriam prestar atenção. O modelo de trechos licenciados, uso limitado e divisão clara entre comercial e não comercial é sólido. Mas um "em breve" sem artistas citados e sem números divulgados é um comunicado à imprensa, ainda não um acordo que sirva aos músicos.

Se você é criador, aproveite o caminho legal quando ele chegar e lembre-se de que ele cobre apenas o uso pessoal. Se você é artista ou compositor, pergunte já à sua gravadora e à sua editora como você será pago. E se você é a Adobe, a maneira mais barata de ganhar confiança é publicar os termos antes do lançamento, não depois.

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