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Redação Musisfera
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A peça de 45 minutos do Storm Corrosion é a teimosia certa

Steven Wilson e Mikael Åkerfeldt estariam criando uma peça de 45 minutos na era do single, e ela só importa se for tão intransigente quanto em 2012.

Publicado
31 de outubro de 2026
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Que tipo de banda anuncia que o próximo álbum terá uma única peça musical de 45 minutos? Uma que não liga para playlists ou que decidiu, em silêncio, odiá-las. O Storm Corrosion, projeto paralelo de Steven Wilson e Mikael Åkerfeldt, parece ser do segundo tipo, e a gente está nessa, com ressalvas.

Uma única peça de 45 minutos é quase tudo o que sabemos

Segundo a reportagem do Blabbermouth sobre a entrevista à Prog, Wilson diz que o sucessor do álbum de estreia homônimo da dupla, de 2012, terá uma única peça musical de 45 minutos. O Ondarock acrescenta que Wilson passou uma semana em Estocolmo com Åkerfeldt, no estúdio de Benny Andersson, preparando o terreno para um novo álbum e criando ali a estrutura da peça. Outros veículos a descrevem como quase toda acústica, sombria, atonal e bonita, com um tema náutico sobre um náufrago.

Nenhuma das reportagens que vimos menciona título, data de lançamento ou gravadora. Isso vem de uma entrevista, não de um anúncio oficial, então trate o calendário como desconhecido. Note também que as reportagens dizem que o álbum terá a peça, não que a peça seja o disco inteiro.

Uma faixa de 45 minutos é um protesto, não um truque

O ciclo de lançamentos atual premia o oposto: introduções curtas, ganchos logo no início, músicas feitas para sobreviver a um pulo de faixa. Uma única peça de 45 minutos é, estruturalmente, uma recusa dessa lógica. Não dá para tirar uma faixa dela nem vendê-la como petisco. Na nossa visão, é exatamente por isso que ela é interessante. Pede a noite inteira do ouvinte, e a indústria da música passou uma década nos ensinando a não dar isso.

Também resistiríamos à tentação de chamar de "retorno". O projeto simplesmente ficou parado desde a estreia de 2012, e a pergunta mais interessante é por que essa forma faz sentido agora. Para nós, o que mudou foi o contexto. Um formato longo que parecia indulgência do rock progressivo há uma década hoje soa como uma declaração sobre a própria atenção.

O risco é a gentileza

Eis a nossa preocupação, e é uma opinião, não um vazamento. Na nossa visão, o charme da estreia de 2012 era não tentar agradar ninguém. Se a nova peça chegar polida e reconfortante, com belas passagens acústicas e um arco arrumadinho, a duração será a única coisa radical nela. Duração é barato. Muitos discos ruins são longos.

As descrições que vimos, atonal e sombria, são animadoras, e uma paleta quase toda acústica sugere contenção, não espetáculo. Mas palavras numa entrevista não custam nada. O teste de verdade é se a peça tem coragem de continuar desconfortável por 45 minutos, deixar a tensão sem resolução e resistir à vontade de entregar ao ouvinte um grande final catártico.

Também esperamos que o lançamento respeite a própria premissa. Se acabar picotado em "capítulos" para a conveniência do streaming, o protesto termina antes de começar. Lance como uma peça só, deixe que seja inconveniente e deixe que quem quiser a encontre.

Anime-se, mas mantenha o hype modesto

Uma dupla com esse histórico construindo um disco em torno de uma composição longa, quase toda acústica e, segundo relatos, perturbadora é o instinto certo, e a indústria fica melhor com alguns artistas que ainda tentam isso. Se será um grande disco depende de uma coisa: se for tão intransigente quanto o de 2012, é audição essencial. Se for apenas longo, será uma nota de rodapé agradável. Até haver data e uma primeira audição, mantenha as expectativas altas e o hype modesto.

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