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Redação Musisfera
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Lake Ontario, de Bryan Adams: música de protesto ou propaganda de pré-venda?

O segundo single anti-Trump de Adams sai uma semana antes do álbum. É marketing esperto, e o lago dá mais substância do que um slogan, mas não muito mais.

Publicado
29 de outubro de 2026
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Foto: Joe deSousa / Wikimedia Commons (CC0)

Uma música sobre um lago pode ser uma música de protesto? Bryan Adams aposta que sim, e a lança uma semana antes do novo álbum. Esse timing é difícil de ignorar.

Os fatos são simples. Como informa a The Hollywood Reporter, Adams lançou "Lake Ontario", um single que mira o presidente dos EUA sem citá-lo. Ele responde à ordem executiva de Trump que rebatiza o lago como "Lake America" para fins federais. Vem na sequência de "51st State", que saiu no Dia do Canadá. O álbum, How's It Goin', chega em 6 de novembro pela BAD Records. A IBTimes acrescenta que "Lake Ontario" é faixa bônus da edição digital e que o álbum é descrito como uma carta de amor musical ao Canadá.

O single de protesto agora é um trailer

Olhe a estrutura. Um single político no verão. Um segundo, mais afiado, na reta final antes do lançamento. Uma faixa bônus que premia quem compra a edição digital. Seja o que for que Adams sinta sobre Trump, e não temos motivo para duvidar de que ele fala sério, isso também é uma estratégia de lançamento. O ciclo de notícias faz a divulgação de graça, e cada veículo que escreve "Bryan Adams mira Trump" também está escrevendo "novo álbum em 6 de novembro".

Não achamos que isso torne a música cínica. Protesto e promoção sempre se sobrepuseram. O que mudou foi a velocidade. Uma mudança de nome no fim de agosto, uma música no fim de outubro. O single de ocasião está virando ferramenta padrão para artistas que têm algo a vender e um público claro, e um público canadense em meio a uma disputa tarifária é quase o mais claro possível.

O lago é um alvo melhor do que o homem

Aqui a música ganha algum crédito. Adams nunca diz o nome de Trump. Ele canta o nome iroquês do lago e o chama de "o nome das Primeiras Nações, não uma ordem executiva". Segundo a IBTimes, a música vai da geologia e da herança indígena à exploração europeia e à indústria antes de chegar à disputa atual. É uma estrutura incomum para um single de ocasião. Ele argumenta a partir do tempo: impérios passam, a água fica. O verso dele diz melhor: "Impérios e regimes, ditadores e reis, todos vêm e vão. Lake Ontario é para sempre".

Essa é a ideia mais forte aqui, e é boa. Um slogan grita com uma pessoa. Esta música aponta para algo mais antigo do que a pessoa.

Onde fica fraca

Depois a letra vai atrás das manchetes. A The Hollywood Reporter cita versos sobre coisas dando errado "no Irã", um "bebê jogando os brinquedos para fora do carrinho" e "os arquivos Epstein" ganhando força. Nesse momento a música deixa de falar de permanência e passa a falar das manchetes desta semana. É uma troca com custo. As referências ao noticiário a tornam compartilhável, mas a envelhecem rápido e reduzem a atemporalidade do lago a um assunto de conversa. O verso do carrinho vai virar corte para redes. O do nome indígena merece mais atenção do que vai receber.

Há também a questão de quem está ouvindo. Um rock de andamento médio que elogia a identidade canadense, dirigido a um presidente que não vai ouvi-lo, chega sobretudo a quem já concorda. Chamaríamos isso de solidariedade, não de persuasão. Tudo bem, mas não vamos fingir que muda alguma coisa.

Nosso veredicto

Encare "Lake Ontario" pelo que é: um rock de ocasião sólido e bem mirado, que funciona em dobro como promoção do álbum. Sua melhor ideia é o olhar de longo prazo, e seus momentos mais fracos são os que perseguem o ciclo de notícias. Se How's It Goin' for mesmo a carta de amor ao Canadá que foi descrita, as músicas sobre o próprio país provavelmente vão importar mais do que as sobre o homem que o irritou. Ouviríamos o álbum antes de decidir se o protesto era o ponto ou a embalagem.

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